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domingo, 27 de julho de 2014

"O apoio extraordinário é um engodo"


Para além de concordar completamente com o título e conteúdo do artigo, relembro que as estatísticas utilizadas são outro engodo, como já expliquei no post "A falácia das percentagens apresentadas pelo MEC". É preciso ter em conta que quase metade dos alunos que estavam inscritos na 2ª fase das provas, de forma a tentarem transitar de ano, nem sequer realizaram as provas, pelo que as percentagens de melhorias apresentadas são bem menores.

Para quando reais medidas e mais meios, sobretudo humanos, para as escolas combaterem decentemente o insucesso escolar dos alunos? Essa é que deveria ser a solução.
Mas para este MEC, as escolas só têm direito a mais crédito horário (ou seja, mais professores) se tiverem mais sucesso escolar. As outras que se amanhem...

Alguns excertos do artigo do Público:
Mais acompanhamento ao longo do ano e turmas pequenas. Para professores contactados pelo PÚBLICO, estas duas medidas ajudariam mais as crianças com dificuldades do que o chamado período de “acompanhamento extraordinário”, de cerca de um mês, que existe no final do ano lectivo para os alunos do 1.º ciclo e do 2.º ciclo que ficam retidos e prestam depois provas na 2.ª fase dos exames de Português e de Matemática. “O período de recuperação é um engodo”, diz a presidente da Associação de Professores de Matemática, Lurdes Figueiral.(...)
Estas provas, uma espécie de segunda oportunidade, são feitas sobretudo por alunos que, após reunião do conselho de turma, ficam retidos e aos quais é dada a possibilidade de frequentarem um período de apoio extraordinário, oferecido pelas escolas, que se prolonga pelas férias adentro.

Lurdes Figueiral defende, porém, que não é num mês – entre a realização das reuniões e afixação dos resultados da 1.ª fase de exames e a realização da 2.ª – que se consegue recuperar alunos com fraco desempenho: “São alunos mais fracos, é evidente, com mais dificuldades, mas este apoio extraordinário não os ajuda a recuperar, não serve para nada”, diz a dirigente que defende turmas mais pequenas, em vez de “30 ou mais alunos” por professor.

O novo presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, Fernando Pestana da Costa, concorda: “Os resultados são obviamente maus, mas não surpreendentes. É praticamente impossível num mês e pouco fazer recuperação de alunos com deficiências graves [no que respeita a conhecimentos de Matemática].  Claro que há casos em que os alunos tiveram maus resultados por problemas pontuais, estavam maldispostos, ou outras razões, e esses casos podem ser recuperados”, defende.
Mas, “na maioria” das situações, o que está em causa é a “preparação base” e, para estes, o apoio extraordinário revela-se “muito pouco eficiente”.
Embora salientando que existe apoio continuado em algumas escolas, este podia ser melhorado: “Há escolas com turmas desdobradas, turmas com mais do que um professor em que um deles dá mais atenção a alunos com mais dificuldades. Mas devia haver um incentivo maior”, diz o dirigente. Refere-se a “mais meios” para ultrapassar as “dificuldades” que decorrem da relação entre o “número de docentes” e o “tamanho das turmas”.

A ineficácia do apoio extraordinário não acontece só na Matemática. Para a presidente da Associação de Professores de Português, Edviges Ferreira, dominar os conteúdos desta disciplina demora “meses”, até “anos”, e “não é num mês” que o aluno adquire competências.(...)Edviges Ferreira defende que a solução passaria pela identificação “logo no início do ano, no máximo no final do primeiro período”, dos alunos com dificuldades: “Esses tinham de ter mais horas e ser encaminhados para apoio pedagógico acrescido.” Mas para isso era preciso haver “menos alunos por turma e mais professores nas escolas.”

Os problemas que o apoio extraordinário levanta não ficam por aqui. O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, garante que há alunos que não foram a estas aulas por falta de transporte: “O país não é todo igual. No interior, há transportes públicos durante o período lectivo; terminadas as aulas, acabam.”(...)Para alguns dias, conseguiram apoio de juntas de freguesia para cedência de transporte; outras soluções passaram por boleias, por exemplo de encarregados de educação que iam levar e buscar um grupo de crianças. “Mas, mesmo assim, alguns não conseguiam vir diariamente”, conta Manuel Pereira. "

sábado, 26 de julho de 2014

A falácia das percentagens apresentadas pelo MEC


É referido que "os alunos que realizaram esta segunda fase dos exames nacionais são aqueles que demonstraram maiores dificuldades ao longo do ano letivo."
Conclui ainda que, no 1º ciclo, passaram de classificação negativa para positiva 38% dos alunos a Português e 13% dos alunos a Matemática. No caso do 2º ciclo, essa percentagem foi de 35% a Português e 5% a Matemática

Esses também são os valores e conclusões que aparecem na comunicação social:
Apoio extra “recupera” mais de um terço dos alunos a Português, mas poucos a Matemática 
Resultados da 2.ª fase dos exames no 4.º e 6.º anos mostram que a maioria das crianças continua a ter negativa. Na Matemática, são mais de 14 mil os que têm 2 ou menos valores.
Só que essas conclusões são falsas!

A questão é que o universo de alunos considerado para o cálculo dessas percentagens foi apenas o número de alunos que realizaram as provas, quando  deveria ser o número de alunos inscritos. Só assim é que se pode concluir a percentagem de alunos que realmente melhoraram as suas classificações.

Como já tinha referido num outro post ("O resultado do acompanhamento extraordinário no 1º e 2º Ciclo..."), a percentagem de presenças nestas provas foi reduzida.
No entanto, é preciso referir que número de alunos presentes nas provas apresentado pelo MEC inicialmente seja ligeiramente menor ao número ao número de provas agora apresentadas como realizadas (Português passou de 2241 para 2443 no 1º ciclo e de 7863 para 8477 no 2º ciclo; Matemática passou de 3406 para 3569 no 1º ciclo e de 11264 para 11916 no 2º ciclo). Não sei o motivo dessas diferenças e o porquê dessas provas extra não terem sido contabilizadas inicialmente, mas os novos números acabam por aumentar ligeiramente a percentagem de presenças.

Seja como for, e considerando como reais os números que o MEC apresentou relativamente aos alunos inscritos nas provas, vamos calcular as reais percentagens de melhorias nas classificações:


  • Português (1º ciclo): 934 positivas em 3891 inscritos - 24% de melhoria;


  • Matemática (1º ciclo): 467 positivas em 7760 inscritos - 6% de melhoria;


  • Português (2º ciclo): 2927 positivas em 11950 inscritos - 24,5% de melhoria;


  • Matemática (2º ciclo): 607 positivas em 25536 inscritos - 2,4% de melhoria.

  • Digamos que estes resultados são bem diferentes dos valores apresentados pelo MEC, tendo sido utilizado uma artimanha estatística de forma a que os resultados parecessem um pouco melhores do que realmente são!

    Comunicado do MEC com os resultados da 2ª fase das provas finais do 1º e 2º ciclo


    O comunicado do MEC:
    "Estas provas foram realizadas essencialmente por alunos que após reunião do conselho de turma tenham ficado retidos, aos quais foi dada a possibilidade de frequentar o período de apoio extraordinário oferecido pelas escolas. Fazem parte de um modelo de avaliação em que, após o fim do ano letivo, os alunos participam num prolongamento durante o qual é oferecido apoio nas disciplinas sujeitas a avaliação externa nas quais os alunos teriam de repetir as provas. Este modelo foi implementado em 2013 para o 1.º ciclo, e em 2014 foi aplicado também ao 2.º ciclo.

    No 1.º ciclo, os resultados indicam que em Português 38% dos alunos conseguiram passar de uma classificação final negativa a uma classificação final positiva à disciplina, ficando assim aprovados. Esse foi também o caso para 13% dos alunos que realizaram a prova de Matemática. No 2.º ciclo, 35% dos alunos conseguiram recuperar em Português e 5% em Matemática. O impacto dessas notas na passagem de ciclo só será conhecido após a sua análise pela escola à luz das demais classificações dos alunos.

    Os alunos que realizaram esta segunda fase dos exames nacionais são aqueles que demonstraram maiores dificuldades ao longo do ano letivo. Não é surpreendente que as médias das classificações das provas finais sejam relativamente baixas, se comparadas aos resultados da 1.ª fase.  Ainda assim, esta medida permitiu reduzir a retenção entre alunos com maiores dificuldades, que, numa fracção com algum significado, melhoraram o seu desempenho.

    O Ministério da Educação e Ciência ressalta o esforço dos professores neste período suplementar, que permitiu que os alunos tivessem uma segunda oportunidade de melhoria de nota e de aprovação, e reforçassem a base a partir da qual iniciarão no próximo ano letivo um novo ciclo ou voltarão a frequentar o último ano desse ciclo, estando sinalizados desde o primeiro momento para um apoio suplementar. O ministério reconhece essa contribuição dos professores, que põem acima de tudo o sucesso dos seus alunos.

    O  Ministério reforça a necessidade de serem utilizadas todas as ofertas de apoio ao estudo oferecidas pelas escolas a partir do momento em que são detetadas as primeiras dificuldades dos alunos. Este conjunto de medidas permite um estudo mais intensivo das disciplinas fundamentais, que ajuda a colmatar as deficiências de aprendizagem e a criar uma base mais sólida para o prosseguimento de estudos no ciclo seguinte. O prolongamento faz parte das medidas de combate ao insucesso e ao abandono escolar que o MEC tem vindo a implementar."





    terça-feira, 15 de julho de 2014

    O resultado do acompanhamento extraordinário no 1º e 2º Ciclo...

    Desde o ano letivo 2012/13 foi criado pelo MEC o Acompanhamento Extraordinário a Português e Matemática aos alunos que não tenham sido Aprovados no final do 1º e 2º Ciclo. Nesse ano letivo, tal apenas se aplicou aos alunos do 4º ano, tendo sido aplicado neste ano letivo também aos alunos do 6º ano. Tal será uma prática a continuar nos próximos anos letivos. 

    Depois dos professores estarem quase um mês a darem aulas extra de apoio, de forma a "colmatar deficiências detetadas no percurso escolar dos alunos" (ponto 2 do art. 23º do Despacho Normativo 24A/2012), estas foram as taxas de presença nas provas finais de Português e Matemática da 2ª fase:

    Quando a Matemática, menos de metade dos alunos sequer compareceu para realizar a prova (e estamos a falar de alunos com, maioritariamente, menos de 14 anos, pelo que são os pais os responsáveis pela sua assiduidade), é realmente de perguntar se será mesmo este acompanhamento extraordinário a solução para "colmatar deficiências detetadas no percurso escolar dos alunos", ou se o problema não será outro, muito mais complexo e complicado de resolver?

    Agora só falta saber os resultados dos alunos que realmente foram realizar as provas finais para tirar ainda mais conclusões.

    Resultados das Provas Finais do 3º Ciclo


    Já são conhecidos os resultados das provas finais do 3º Ciclo, com maior destaque para as provas de Português e de Matemática.

    Como já era esperado ("Exame de Matemática do 9.º ano foi "fácil, fácil"", "Afinal, o exame de Português do 9.º ano foi “facílimo”"), os resultados melhoraram relativamente ao ano anterior. 

    Considerando a totalidade dos alunos (internos e externos) que foram a exame, ambas as disciplinas melhoraram a sua média em 8% (a média de Português melhorou de 47% para 55% e a de Matemática de 43% para 51%).

    No entanto, enquanto que a Português 69% dos alunos obteve positiva (classificação igual ou superior a 50%), em Matemática tal apenas aconteceu a 53% dos alunos.

    Os documentos disponibilizados pelo MEC:

    quinta-feira, 10 de julho de 2014

    Provas Finais de Português (1º e 2º Ciclo) - 2ª Fase

    Já se encontram disponíveis as provas finais de Português (1º e 2ª Ciclo) da 2ª fase realizadas ontem, 09/07/2014, assim como os respetivos critérios de avaliação:



    segunda-feira, 19 de maio de 2014

    Início da Época das Provas Finais...

    ...do 1º e 2º ciclo.

    Neste momento, já se realizou a prova de Português do 1º ciclo, sendo que à tarde se realizará a do 2º ciclo.
    4ª feira será a vez das provas de Matemática, do 1º ciclo de manhã, do 2º ciclo de tarde.

    Estas provas, no decorrer das aulas do 3º período, trouxeram muitos constrangimentos a toda a comunidade escolar. São os pais a queixarem-se dos filhos que deixaram de ter aulas para os outros fazerem exames (isto em escolas onde não foi possível o desenrolar normal das atividades letivas, que presumo ser a maioria), são os professores que deixam de dar aulas, colocando em risco o cumprimento dos programas, os professores de cursos profissionais que, estando em serviço oficial, terão na mesma de repor as aulas que deixaram de dar, e ainda aqueles que já há muito tinham testes marcados e viram, de um dia para o outro, todo o seu planeamento ir por água a baixo, tendo agora extremas dificuldades em marcar testes.

    Ou seja, tudo normal no "reino" do MEC.

    segunda-feira, 12 de maio de 2014

    Informações do IAVE relativamente às provas e exames (I)

    O GAVE (ou é o IAVE?) disponibilizou documentos e informações relativos às provas finais de ciclo e aos exames finais nacionais a realizar em 2014, alguns dos quais de alguma importância, tanto para os professores como para os alunos.

    Informação relativa a provas adaptadas. Consultar aqui.

    Informação para alunos e encarregados de educação 

    • Informações importantes, já várias vezes referidas, mas que nunca é demais voltar a relembrar. Consultar aqui.
    • Calendário das provas e exames. Consultar aqui
    • Informação‐Prova Final ou Informação‐Exame Final Nacional. Consultar aqui
    • Instruções de Realização e Critérios Gerais de Classificação | Consultar aqui. (Para já, só sobre as provas finais de 1º e 2º ciclo)