terça-feira, 5 de agosto de 2014

Resultados dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário - 2ª Fase

Foi ontem divulgado pelo IAVE um comentário preliminar aos resultados dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário.

É de estranhar que não seja apresentado todos os resultados como foi feito para os exames da 1ª Fase (ver aqui). Talvez esteja tudo de férias e não havia ninguém para o fazer...

Rede de cursos do Ensino de Português no Estrangeiro

Foi hoje publicado em Diário da República o Despacho n.º 10035/2014, que aprova a rede de cursos do ensino português no estrangeiro para o ano letivo de 2014-2015 e 2015. 

PACC - Comunicado da ANVPC


A Associação Nacional de Professores Contratados lançou um comunicado sobre a PACC, referindo vários pontos a ter em conta, onde realço a falta de condições na realização da prova e tais consequências, o silêncio das entidades formadoras de professores (cujo valor é que mais está em causa), e a inexistência de reais melhorias na qualidade de ensino em resultado da aplicação desta prova, até porque a maioria dos professores que a realizaram terão poucas hipóteses de lecionar nos próximos anos. Para demonstrar isso, requer que o MEC informe o número de professores aprovados que estarão a lecionar no próximo ano.
"No que respeita a uma análise dos resultados hoje anunciados pela tutela, relativamente à Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC), a ANVPC - Associação Nacional dos Professores Contratados verifica, antes de mais, com satisfação, o elevado universo de docentes aprovados nesta avaliação, assim como as altas classificações aferidas por uma parte considerável dos docentes envolvidos. 

No entanto, no que concerne à aplicação desta prova, cabe referir que:  

1) A implementação da PACC não faz qualquer sentido, e é, curiosamente, colocada em marcha pela equipa do Ministério da Educação e Ciência - MEC (liderada pelo Ministro Nuno Crato) que retirou a possibilidade dos docentes contratados serem avaliados nas escolas através de aulas assistidas (em ambiente de sala de aula - Avaliação de Desempenho Docente - nos mais variados parâmetros: pedagógicos, administrativos, científicos, gestão de conflitos, etc.), não podendo este grupo de professores, desde a entrada desta equipa ministerial, aceder à classificação de “Excelente”;

2) Tratando-se, acima de tudo, de uma tipologia de prova em que o clima de concentração era fundamental (tendo em conta a sua estrutura/matriz), a ANVPC recorda o ambiente de ruído e de instabilidade em que muitos docentes realizaram a mesma, com consequente reflexão na sua classificação final, podendo, em muitos casos, muitos professores serem excluídos do exercício da sua profissão por tumultos a que foram totalmente alheios;

3) Muitos docentes, até à data, continuam a ver-se impossibilitados de realizar a PACC por questões a si externas, nomeadamente por não terem sido inscritos na 2ª fase de concretização, ou por terem obtido a sua habilitação profissional  posteriormente ao período inicial de inscrição; 

4) A replicação dos resultados finais da PACC no consequente aumento da qualidade do sistema público de ensino (proclamado pela tutela) será, na perspetiva desta associação, absolutamente nula, uma vez que a esmagadora maioria dos professores envolvidos na realização desta prova (tendo em conta o corte sucessivo de recursos humanos colocado em marcha por este governo), dificilmente virá a lecionar nos próximos anos;

5) Até à presente data, o MEC não apresentou objetivamente quais as competências docentes que pretende avaliar diretamente com a PACC, sustentando as mesmas em todos os documentos e estudos, nacionais e internacionais, que fundamentam o desenvolvimento desta atividade profissional;

6) A ANVPC estranha, por fim, o silêncio contínuo da indiscutível maioria das entidades de formação de professores (universidades e politécnicos), uma vez que durante anos a fio foram responsáveis pela formação destes docentes, aos quais agora a prova é aplicada.

Face ao exposto, a ANVPC - Associação Nacional dos Professores Contratados, tendo em conta quer a razão central apresentada pelo MEC para a aplicação desta prova - o aumento da qualidade do ensino português – quer a boa gestão dos fundos nacionais púbicos utilizados no desenvolvimento e aplicação da PACC, requer que o Ministro da Educação e Ciência, Professor Doutor Nuno Crato, torne, a seu tempo, público e transparente, o número de docentes que obtiveram aprovação nesta prova e que estarão, no próximo ano letivo, ao serviço do MEC, a lecionar nas escolas públicas. Com tal procedimento o Ministério da Educação e Ciência permitirá que todos os portugueses tenham consciência da consequência dos resultados da aplicação direta da PACC, podendo aferir a real evidência deste processo na melhoria da Educação Pública nacional.
A direção da ANVPC"

PACC - A reação da FENPROF à divulgação dos resultados

"Professores que cumpriram com êxito (!) toda a formação que lhes foi exigida, profissionalizados para a docência, muitos deles sucessivamente contratados pelo Ministério da Educação para exercerem a profissão e, no fim dos contratos, avaliados segundo as regras que o próprio governo estabelece, foram notificados pelo MEC – via IAVE – de que o resultado da absurda ”prova de avaliação de conhecimentos e capacidades” (ver enunciado em www.fenprof.pt) está, no dia 4 de agosto, a ser divulgado pelos seus mentores.

Nuno Crato persegue a sua canhestra obsessão por tudo quanto seja ou pareça “exame” e, porque as acha desejáveis, serve estratégias de domínio e de subjugação da profissão docente que, como ministro da Educação, cargo que ainda ocupa, devia sentir-se obrigado a respeitar. 

Não está em causa, nem é isso que, em definitivo, conta, a facilidade ou a dificuldade da praxe imposta por Nuno Crato a milhares de docentes, achincalhando-os e, nesta vertigem, delapidando dinheiros públicos e trabalho das escolas; não está em causa, nem é isso que conta, se as pautas estão, de momento, repletas de “aprovados”, eventual propaganda que esconde a verdadeira natureza da provocação: haver um ministro, uma equipa ministerial e um governo que acham (?) que um “bom professor” se distingue por charadas de deslocações em transportes públicos e pela identificação em garatujos de perspetivas de edifícios tomadas por câmaras de televisão em distintas posições…

Uma "prova" inútil

De momento, o IAVE divulgou listas de aprovações na famigerada prova; fala de não aprovados mas não os indica. O que importa mesmo é que a prova é famigerada, inútil, inaceitável. O que a FENPROF exige é que seja anulada e revogada a obstinação do ministro em a impor, mesmo no quadro rocambolesco e de inépcia política e técnica em que a tem querido impor.

Percebe-se neste trajeto uma obstinação vingativa contra quem se opôs, e bem, à humilhação que atinge toda a profissão docente. 

A FENPROF recorrerá e apoiará o recurso a todas as vias, judiciais e outras, para que nenhum professor ou educador seja prejudicado devido a esta prova, designadamente em relação à sua continuação em concurso (vinculação extraordinária ou contratação). Isto diz respeito, desde logo, a quem não fez ou a quem não pôde fazer a prova. A via judicial será uma das possíveis, ainda que o ministro decida voltar ao ridículo de afirmar que existe “judicialização da educação”. Não, o que existe é uma sistemática violação de quadros legais, por parte do MEC, não deixando alternativa a esse recurso. 

Mas, como está à vista, a luta contra este governo, contra governantes do jaez de Nuno Crato e contra as suas torpes opções políticas é um chamamento que deve convocar todos os docentes.

Haja respeito pelos professores!

O Secretariado Nacional da FENPROF
4/08/2014"

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

PACC - As notícias na Comunicação Social








A PACC está a ter os resultados que o MEC queria e muito desejava. 

Para além de ter mostrado "quem mandava" ao impor de qualquer forma a realização desta prova (mesmo se para tal tenha sido necessário acabar com a componente científica), e de diminuir artificialmente o núnero de candidatos nos concursos, os resultados da PACC estão a ser utilizados para menorizar ainda mais os professores, seja por realçar o número que chumbou na prova ou chamando à atenção à quantidade de erros ortográficos dados.

Mas quase que nem é referido (à exceção do César Paulo no Público) nas condições que muitos professores tiveram para realizar a prova. Para além do estado psicológico (por realizarem algo que sabiam que em nada demonstrava que seriam bons professores mas que limitaria o possível acesso à profissão no próximo ano letivo), ainda temos as condições criadas pela grande contestação à porta das escolas.
É verdade que essas condições foram criadas exatamente para tentar anular a realização da prova, mas que se tornou na maioria dos casos atos infrutíferos. Mas quantos ficaram prejudicados por essas condições, não conseguindo concentrar-se devidamente para resolver a prova com a normalidade desejada, e que por isso não foram aprovados?

PACC - Análise dos resultados

O IAVE enviou à Comunicação Social um documento com a análise dos resultados da PACC. Dentro dos dados, salienta-se:
  • A componente comum abrangeu um universo de 13551 inscritos;
  • Na primeira aplicação foram realizadas 7699 provas válidas e na segunda aplicação foram realizadas 2521 provas válidas, perfazendo um total de 10220 provas validadas; Sendo assim, não realizaram a prova 3331 inscritos;
  • Foram aprovados 8747 candidatos, o que corresponde a 85,6% do total de candidatos com provas classificadas. Não foram aprovados na prova 1473 candidatos;
  • A média das classificações é 63,3 pontos, sendo o desvio padrão 16,97 pontos. A mediana da distribuição dos resultados é 68,25 pontos.
  • A distribuição das classificações é dada pelo gráfico seguinte:


Com os dados divulgados, a conclusão sobre o número de professores que não poderão dar aulas no próximo ano letivo não é o amplamente divulgado na Comunicação Social (1500).
A estes, é necessário adicionar os que, estando inscritos, não realizaram a prova, e os que nem sequer se inscreveram (que não é possível saber o número)

Assim, acho que é se pode dizer que serão mais de 4500 professores que serão impedidos de dar aulas no próximo ano letivo devido a esta prova (tendo em conta os 3331 inscritos que não realizaram a prova e considerando que alguns poderão ainda ser permitido concorrer, caso mostrem que não realizaram a prova por impedimento, nem sequer considerando os que não se inscreveram).

O documento da análise de resultados do IAVE:

PACC - A divulgação dos "aprovados" e mais informações

Já foi divulgada a lista de candidatos aprovados na PACC, não sendo divulgado quem não teve aprovação ou não realizou a mesma. Os resultados devem também ser consultados em https://sigrhe.dgae.mec.pt/openerp/login (área pessoal do candidato).

Foi ainda disponibilizado um documento com informação complementar sobre os critérios de classificação.

Comunicado da ANVPC


A Associação Nacional de Professores Contratados emitiu um comunicado a repudiar todos os atrasos que se verificam nos concursos de professores, exemplificando o caso da não divulgação das listas do CEE e a inexistência de datas para concorrer para as BCE, e chamando à atenção que as colocações deverão ocorrer antes do dia 1 de setembro de forma a evitar que todos os professores contratados sejam obrigados a irem pedir o subsídio de desemprego e serem colocados passado uns dias, tal como aconteceu neste ano escolar.

Concordo por completo no conteúdo deste comunicado (como também já tinha indicado aqui), acrescentando que também muitos professores do quadro sentem a falta de respeito do MEC, estando à espera de indicações sobre quando será o concurso de Mobilidade Interna.
"A ANVPC - Associação Nacional dos Professores Contratados lamenta a total inoperância do Ministério da Educação e Ciência (MEC), que, uma vez mais, ultrapassando tudo o que até à data se tinha assistido na Educação portuguesa, se encontra, em pleno mês de agosto, ainda sem divulgar quer os resultados do Concurso Externo Extraordinário quer qualquer data para a realização do Concurso para a Bolsa de Contratação de Escola (BCE).  
Esta equipa ao serviço do MEC continua, deste modo, a demonstrar uma total insensibilidade laboral e uma falta de respeito atroz pelas dezenas de milhares de professores que, em pleno momento de férias, se encontram em frente aos seus computadores aguardando a calendarização das próximas fases concursais, e respectivos resultados, onde se decidirá mais um período anual das suas vidas profissionais e pessoais, envolvendo a estabilidade de toda a sua família. 
É verdadeiramente inconcebível, e mesmo histórico, que num momento em que praticamente dois mil professores contratados têm já garantia de entrada para os quadros do MEC, estejam a ser obrigados a realizar um complexo concurso destinado à contratação (que posteriormente terá de ser anulado pela tutela) e várias dezenas de milhares estejam a preparar-se para um concurso do qual ainda, à data, não se sabem a esmagadora maioria dos procedimentos (BCE), e terá efeitos para a colocação no próximo ano letivo, a arrancar já no dia 1 de setembro. 
A ANVPC, vem, por este meio, manifestar publicamente a sua indignação face ao referido, uma vez que o MEC demonstra, nestas atitudes, para além de um total desrespeito pela classe profissional que tutela, uma grave inoperância técnica, e integral falta de rigor e excelência.Esta associação profissional aguarda ainda que seja cumprida a colocação em regime de Contratação Inicial, no próximo dia 1 de setembro (como sempre aconteceu até à estranha alteração no ano transato), esperando que o MEC não sujeite novamente milhares e milhares de professores necessários ao sistema a estarem horas a fio nas filas dos Centros de Emprego deste país, vendo-se, passado alguns dias, novamente colocados ao serviço deste ministério, com a agravante pedagógica de não terem participado em todos os fundamentais procedimentos de arranque do ano letivo. 
A direção da ANVPC  
04.08.2014"

Os resultados da PACC são hoje divulgados...

Os candidatos que realizaram a PACC estão a receber um mail com o seguinte conteúdo:
"Exmo(a) Sr(a) Candidato(a) Durante o dia de hoje (04-08-2014) será publicada na página eletrónica do IAVE - Instituto de Avaliação Educativa I.P., a lista de candidatos aprovados na prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (PACC). Após a publicação da lista acima referida, os candidatos(as) que realizaram prova válida poderão aceder à plataforma SIGRHE desta Direção-Geral para aí consultarem a sua situação no que se refere ao resultado final validado da PACC."
Espero que os resultados de cada um sejam só acessíveis ao próximo, mas é provável que sejam divulgadas estatísticas dos resultados, que poderão ter algumas surpresas.

sábado, 2 de agosto de 2014

Em agosto sem gosto...

... e não é só por causa do tempo horrível que está.

Agosto é, por natureza, o mês de férias dos professores. É neste mês que a grande maioria dos professores tenta desligar-se completamente da escola, ocupa o seu tempo com o que mais gosta de fazer, que ganha as forças necessárias para iniciar o novo ano letivo da melhor forma possível.

Mas tal é uma tarefa quase impossível para aqueles ainda à espera de resultados, tanto da PACC como do Concurso Externo Extraordinário (CEE), isto embora o concurso de Contratação Inicial já esteja em andamento (até dia 6).

Sobre o CEE, e visto que no dia 31 de julho a DGAE ainda pedia documentos às escolas para verificar reclamações, começo a ver que possivelmente ainda não será para a semana que serão divulgadas as listas, embora espero estar enganado. E sem colocações no CEE não pode iniciar-se a Mobilidade Interna. Bem, isso teoricamente, já que o concurso de CI também só deveria iniciar-se após essa divulgação e já está em andamento.

E não esquecer as Bolsas de Contratação de Escolas! Embora pode ser dito que os seus procedimentos começaram em julho (com o pedido dos critérios), ainda se espera pelo início desses concursos e o esclarecimento de algumas dúvidas. As bolsas não podem ser deixadas passar pelos professores contratados não podem deixar de lado, já que são mais de 200 escolas que irão usar esse tipo de concurso.

Isto dito, ainda é preciso esperar (e desesperar) por novidades. Parece-me que chegará o meio de agosto e ainda haverá pessoas a concorrer...

Para todos os que já não dependem dos concursos, aproveitam desde já as merecidas férias.