quarta-feira, 23 de abril de 2014

Público: A Opinião de Santana Castilho

Tornou-se um lugar-comum dizer que a história da Educação da democracia é a história de sucessivas reformas avulsas, quase sempre descontextualizadas e elaboradas sem o concurso dos docentes. Mas a esta característica consensual veio acrescentar-se a desolação dos anos de Crato.
Os constrangimentos impostos pela crise sofreram a interpretação de um fanático dos resultados quantitativos que, incapaz de ponderar os efeitos das suas políticas, está a produzir sérias disfunções no sistema de ensino, que nos reconduzem à escola de 24 de Abril, aquela que Durão Barroso evocou e celebrou há pouco, no antigo Liceu Camões. Porque ambos nos querem fazer acreditar que o sonho de modernizar o país foi um erro, que estava acima das nossas possibilidades, que devíamos ter continuado pobres e sem ambições, a eles e a todos os que olham a Educação como mercadoria, aos que ainda não tinham nascido em Abril de 74 e hoje destroem Abril com a liberdade que Abril lhes trouxe, importa recordar, serenamente, o que Abril fez: 

A reação da FENPROF ao Concurso Externo Extraordinário


"O presente decreto-lei estabelece um regime excecional destinado à seleção e recrutamento de pessoal docente para os estabelecimentos públicos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário na dependência do Ministério da Educação e Ciência.

A reação da ANVPC ao Concurso Externo Extraordinário

"Foi hoje publicado em Diário da República o Decreto-Lei n.º 60/2014, relativo ao concurso extraordinário para vinculação dos Professores contratados.

Em consonância com o já reiterado, a ANVPC – Associação Nacional dos Professores Contratados, considera que este normativo não cumpre, de forma alguma, o estipulado na Diretiva 1999/70/CE do Conselho de 28 de junho de 1999. O modelo de concurso agora legislado é discriminatório e não faz qualquer sentido tendo em conta, inclusive, o teor das palavras do ministro Nuno Crato, na sua comunicação do passado dia 17 de janeiro, onde referiu que “Após todo o processo de vinculação extraordinária, estamos convictos de que, no essencial, estarão integrados nos quadros os professores mais experientes, que têm sido colocados em sucessivos contratos anuais e completos, satisfazendo pois necessidades do sistema”. Após a publicação do normativo referido ninguém compreende que o Ministério da Educação e Ciência (MEC), numa plena posição autista, não tenha criado um enquadramento legal que permitisse o direito de uma vinculação séria e com requisitos claros e justos, que assistisse todos os docentes que há muito se assumem como necessidades permanentes do sistema de ensino público, trabalhando anos e anos consecutivos para a mesma entidade laboral – o MEC. 

terça-feira, 22 de abril de 2014

Publicado o Decreto-Lei sobre o Concurso Externo Extraordinário

E foi hoje publicado o Decreto-Lei n.º 60/2014, de 22 de abril, que estabelece um regime excecional para a seleção e o recrutamento do pessoal docente dos estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário na dependência do Ministério da Educação e Ciência. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Opinião JN: Paulo Ferreira

Identifico-me completamente com este artigo de opinião de Paulo Ferreira. A história do meu pai é praticamente igual (as únicas grandes diferenças são menos uma década de idade e num local mais ao centro do país). 
Acrescento na minha história que era desejo dele e da sua professora primária, que via nele um grande potencial, que continuasse a estudar para lá da 4ª classe, mas ele era necessário para trabalhar e colocar mais algum dinheiro dentro de casa. A própria 4ª classe só foi tirada  com permissão dos meus avós por ser obrigatória. 
Durão Barroso não sabia o que era isso, nem agora sabe as dificuldades que as famílias atravessam. Nem sabe os verdadeiros obstáculos e barreiras que a Escola Pública de hoje tem de enfrentar, Escola essa que, no seu global, felizmente é bem diferente da Escola em tempo de ditadura.

Fica aqui o artigo transcrito (negrito da minha responsabilidade):
"O meu pai fez-se alfaite a custo. Homem transmontano na casa do 70 e oriundo de família grande e humilde sabe bem o que significa a palavra "custo". Significa fome (não é estória a história de que uma sardinha tinha que alimentar quatro bocas). Significa trabalho duro e mal pago (não é estória a história de que a longas horas de labuta correspondia um remuneração minúscula e desacompanhada do do pagamento, pelo patrão, dos descontos para a Segurança Social). Significa privação. Significa falta de estudos. Significa, enfim, uma vida carregada de tons negros, apenas aclarados pela esperança e pela vontade indómita de mudar as coisas que a tenra idade ajuda a empurrar.
O meu pai fez a antiga quarta classe a custo. Era preciso aprender a cortar e a coser tecido na velha máquina de costura empurrada pela força que o pé faz no pedal. Para poder fazer o exame final teve que pedir emprestados uns socos. Quer dizer: nos restantes dias, ía descalço para a escola (ele e a maioria dos colegas), ou, quando muito, aconchegava os pés numas alpercatas que lhe chegavam bastante estragadas do irmão mais velho. Lembrei-me deste episódio quando, há dias, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, teceu um estranho encómio ao "rigor, disciplina e exigência" que marcaram o ensino no tempo da ditadura.
A coisa passou um bocadinho desapercebida. Mas não devia: o que Durão elogiou foi um sistema educativo a que tinham acesso apenas os mais abastados e um sistema educativo que, com exceções, concerteza, se baseava no medo, no respeitinho atemorizante imposto pelo professor e pelo despejar das matérias sem direito a contraditório e a reflexão. Disse, a propósito, Rosário Gama ao Diário de Notícias: "Era ensino de cátedra, em que se exigia uma série de memorizações. Era o que eu chamo de 'educação bancária': abrir a cabeça e despejar lá para dentro conhecimentos". A atual presidente da APRE! sabe do que fala: ela foi diretora de uma escola secundária de sucesso - a Infanta D. Maria, de Coimbra.
Passamos do inferno para o céu? Não. O grau de experimentalismo e de facilitismo, o constante ziguezaguear das políticas definidas pelos vários governos para o setor, tranformaram a Educação em Portugal numa espécie de ringue em que, de um lado, estão docentes, do outro, o ministro da tutela e, no meio, indefesos, os estudantes. A crise agravou tudo e passou a servir de argumento para tudo, sejam protestos sem sentido ou políticas de ideologia dúbia e resultado incerto.
Isso é uma coisa. Que deve ser discutida e ultrapassada com um acordo entre as forças do arco do poder. Outra, bem diferente, é desejar ardentemente que a "disciplina, a exigência e o rigor" se alcancem numa escola em que os menos dotados são corridos à reguada, ou com "carinhosas" vergastadas nas orelhas, se não souberem de cor e salteado os rios e as serras do nosso querido Portugal. Só falta irem de socos..."

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Dia Mundial da Voz

Hoje é o Dia Mundial da Voz.
"Para um professor, a voz é o seu instrumento diário de trabalho mais precioso. É a voz que nos possibilita exercer a nossa função enquanto professores, e sem ela, dificilmente saberíamos comunicar, interagir com os nossos alunos e transmitir-lhes conhecimento.
Todos nós, como professores, sabemos como é complicado usar a voz corretamente e, embora por vezes tenhamos consciência da alguns erros que cometemos enquanto falamos, raramente conhecemos o modo como os podemos corrigir, facilitando-nos uma correta utilização da voz.
Contudo, estamos cientes de que um mau uso da nossa capacidade vocal pode conduzir, por um lado, a dificuldades no processo de ensino-aprendizagem, e por outro, a problemas do foro fisiológico, que acabarão por comprometer o bom desempenho do professor e mesmo a sua saúde." (retirado daqui)
Deixo uma pequena e simples tabela sobre o que se deve e não deve fazer para manter uma boa qualidade da voz.

terça-feira, 15 de abril de 2014

GRANDE INVESTIGAÇÃO DN (IV)


Com cortes, mais cortes, e já previstos novos cortes, os "ganhos de eficiência" só se for a nível financeiro do MEC. Por muito que os professores em exercício se esforcem e sacrifiquem, a diminuição da qualidade e o desgaste de todos os profissionais da educação são mais do que visíveis. Só mesmo os "cegos" ideológicos é que poderão pensar de outra forma.
Um sector a readaptar-se, em retrocesso, em perigo de degradação, já a degradar-se, a tornar-se racional ou com ganhos de eficiência. As visões variam, mas uma coisa é certa: três anos depois da assinatura do memorando de entendimento com a troika, nada está igual na Educação em Portugal. 

GRANDE INVESTIGAÇÃO DN (III)


Não tem lógica alguma o Estado financiar estabelecimentos privados quando existem escolas públicas nas proximidades com falta de alunos! É uma duplicação de encargos que só se percebe devido a lobbies e interesses particulares, que todos nós acabamos por pagar. E depois ainda ficamos a saber que em muitos desses estabelecimentos a fuga à lei é uma constante, numa tentativa de maximizar os seus lucros e minimizar os direitos dos funcionários, especialmente professores, que nele trabalham.
"Indícios fortes de peculato, utilização indevida de dinheiros públicos, abuso de poder e participação em negócio ilícito" no financiamento a colégios privados levaram a Federação Nacional de Professores (Fenprof) - nas palavras do seu secretário-geral, Mário Nogueira - a apresentar uma queixa-crime na Procuradoria-Geral da República em fevereiro. Antes, já o grupo GPS estava a ser investigado por suspeitas de corrupção e enriquecimento ilícito. Ao todo, entre o grupo com sede em Pombal e as escolas que, ao que o DN apurou, são visadas na denúncia do sindicato, estão estabelecimentos que receberam quase 35 milhões de euros, do Estado, no ano passado.

GRANDE INVESTIGAÇÃO DN (II)


Tal como disse aqui, se fosse regulamentado que todas as cantinas escolares funcionassem durante os períodos de férias, esse número seria minimizado, dando assim condições a todas as crianças terem uma alimentação condigna.
Passo a transcrever o artigo:
Só no ano passado cerca de 120 mil crianças teriam passado fome se não tivessem o apoio do Banco Alimentar, um aumento de mais de 35 mil crianças face ao registado antes da crise, em 2008. O número foi cedido ao DN pela presidente da instituição, Isabel Jonet, que garante que um terço das 355 749 pessoas que receberam alimentos do Banco Alimentar contra a Fome em 2013 são crianças.