segunda-feira, 10 de março de 2014

Implicações e constrangimentos da Bolsa de Contratação de Escola

Um dos objetivos do MEC com a aplicação da Bolsa de Contratação é a agilidade das colocações, em comparação com a Contratação de Escola. De facto, havendo já uma lista pré-definida com os candidatos ordenados, no momento em que a escola necessite de um professor, bastará ir a essa lista e seleccionar o candidato que se encontra em 1º lugar, poupando bastante tempo (não há uma nova abertura de concurso e a ordenação dos candidatos, algo que pode demorar vários dias). Assim, a colocação de um novo professor será algo extremamente rápida, cuja demora poderá apenas acontecer caso aconteçam várias não aceitações do lugar (algo que a partir do próximo ano será muitíssimo residual devido à implicação que acarreta). Pode tal ser visto como uma "vantagem" comparativamente à Contratação de Escola, mas considero que seja mesmo a única.

No entanto, são por demais evidentes as desvantagens e os constrangimentos que esta modalidade de concurso provoca, algumas das quais passo a enumerar:

1 - Para as escolas, administrativamente, o mês de julho e agosto será um terror! Sendo necessário abrir concurso para quase todos (ou mesmo todos) os grupos de recrutamento (de modo a acautelar, por exemplo, a ausência prolongada de qualquer professor a qualquer altura do ano letivo), estamos a falar da ordenação de centenas (ou mesmo milhares) de candidatos para cada um desses grupos. Essa ordenação mais complexa será quantos mais subcritérios (e documentos subjacentes necessários) forem considerados na avaliação curricular.

2 - Para os docentes candidatos, o mês de julho será também um terror! Como a abertura do concurso para estas escolas será no mês de julho, nesse momento nenhum professor contratado saberá qual a sua situação no início do ano letivo seguinte (seja por colocação em Contratação Inicial ou renovação de contrato). Assim, TODOS se sentirão na obrigação de concorrerem para a Bolsa de Contratação de cada escola do seu interesse. É preciso considerar que cada vez mais os professores contratados concorrem considerando um maior raio relativamente à sua residência (já para não falar dos milhares que concorrem a nível nacional) e que existem mais de 300 escolas que irão utilizar esta modalidade (mais de 170 escolas de autonomia, 116 TEIP, e ainda as escolas profissionais, de ensino artístico e EPE). Num exemplo extremo, um professor irá concorrer, nesse mês, a 300 escolas individualmente, cada qual com os seus subcritérios (sendo, possivelmente, necessário enviar ainda comprovativos).

3 - Todo este processo, em muitos casos, não servirá para nada!  Como os docentes de carreira têm prioridade na colocação, muitas das vagas existentes serão ocupadas por esses docentes. Haverá ainda outros casos em que nem existirão necessidades temporárias ao longo do ano letivo.

4 - E é possível, no momento do concurso a essas bolsas, saber a carga horária a que se candidata, manifestar preferências para cada um dos intervalos de horários ou definir um número mínimo de horas semanais? Esta dúvida torna-se uma extrema desvantagem para os professores contratados se a sua resposta for triplamente NÃO. Sendo a abertura dos concursos em julho e servindo para satisfazer necessidades temporárias ao longo do ano, parece-me que será impossível às escolas definirem a carga horária de uma possível vaga que venham a ter, exceptuando as vagas para o início do ano letivo. Num caso hipotético, e caso não exista a manifestação do tipo de horário, um docente, por ter concorrido a uma bolsa de contratação bastante distante da sua residência na esperança de ficar num horário completo, pode vir a ser seleccionado para um horário de 8h. E já sabem as implicações da não aceitação de colocação...

Qual seria a solução?
Como é óbvio, de forma a evitar tudo isto, todas as escolas deveriam apenas recorrer à Contratação Inicial e à Reserva de Recrutamento ao longo do ano letivo, só utilizando a Contratação de Escola em situações excepcionais já previstas no DL 13/2012! Para além de seguirem o critério mais justo na colocação de professores (graduação), iria poupar as escolas e os professores a uma enorme carga de trabalho, muitas vezes infrutífera. Se a vontade do ministério é agilizar as colocações, que diminua o espaço de tempo entre saída das listas das colocações por Reserva de Recrutamento, e deixe de invenções. 
Mantendo-se a Bolsa de Contratação, o meu conselho às direções das escolas é que apenas usem a graduação profissional como critério (sim, porque a avaliação curricular pode usar como único critério a graduação profissional) tendo em conta tudo o que já foi exposto antes, no que a eles lhes toca, nos pontos 1 e 3.

4 comentários:


  1. Prof. Infinito,

    Do pouco que percebo disto, podemos voltar a cair naquele erro de o próximo horário, lançado 5 minutos depois, ser na zona do teu distrito.. e o inverso a outro candidato.. isto no caso de irem diretamente à lista selecionar o 1º da lista!


    Os agrupamentos deviam lançar as necessidades todasss durante o dia de hoje. E durante o dia seguinte, com por exemplo 50 vagas existentes, serem colocados pelas preferências, julgo que podiam continuar a existir!

    A questão das preferências, (podem-me chamar esquisito em tempo de vacas magras, mas é importante!) Acontece imenso, és colocado num local e 5 minutos depois, ligam-te a dizer que ficas selecionado perto de casa!

    Consegue-se facilmente, agregar todos os factores, de interesse para todos! Penso que a Entidade Patronal tem todo o interesse de ter um trabalhador que faz de viagem todos os dias 50kms do que 200kms... é o que acontece hoje!

    Para complicar a coisa. As preferências deviam ser possíveis de alterar em qualquer fase durante o concurso e do ano lectivo!

    Hoje (em Julho) posso não ter interesse em ir para o Algarve porque estou a cuidar do Pai internado, mas em Setembro/Outubro.... Já estar disponível!

    Aproveitem esta oportunidade!

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  2. Por isso seria muito melhor usarem apenas a Contratação Inicial e a Reserva de Recrutamento durante todo o ano letivo. A minha ideia também seria essa: juntarem os horários lançados de 1 dia(ou 2 no máximo) e colocarem os professores consoantes as suas preferências.
    Quanto à alteração de preferências ao longo do ano, parece-me que tal seria de simples execução e tem toda a lógica.

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  3. O único critério a seguir deveria de ser as listas de graduação, em existe a 1ª prioridade e a 2ª prioridade. Apenas a graduação não é justo.

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  4. Pois claro, Helena!E tal seria feito sendo os concursos apenas por contratação inicial e reserva de recrutamento. Os de contratação de escola deveriam ser mesmo residuais.
    Mas com a ideia de municipalização do ensino (que se encontra em movimento), isso está cada vez mais longe de ser possível de obter..

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