Depois de analisado o caso dos contratados, vamos analisar as injustiças deste concurso externo extraordinário para os professores que já se encontram no quadro.
Ao ser um concurso externo, os professores do quadro não poderão concorrer a essas vagas. Logo por aí, e se falando apenas em graduação, será possível (e muito provável) que um professor contratado com menor graduação que um professor do quadro vincule num QZP de grande interesse para esse professor do quadro. Existem inúmeros casos de professores do quadro que estão vinculados (quer em QZP quer em QA/QE) a centenas de quilómetros da sua área de residência e que mudariam logo, caso lhes fosse possível, para o QZP de que faz parte a sua área de residência.
Num caso hipotético (e perfeitamente possível), um professor do quadro que está vinculado no Algarve, e que é do Porto, vê um contratado menos graduado que ele a vincular no QZP 1, algo que ele anseia há muito conseguir. Justo?
Temos ainda o caso dos professores do quadro que, tendo mais do que uma habilitação profissional, pretendem mudar de grupo de recrutamento (muitos para tentarem fugir a horário zero e, consequentemente, à mobilidade especial e possível desvinculação forçada). Ora, estes não têm essa hipótese, enquanto que os professores contratados poderão concorrer, e vincular, em qualquer dos grupos para que tenham habilitação profissional.
Pode-se dizer que no concurso interno terão essa oportunidade de mudança de grupo, mas já se viu no concurso do ano passado que as vagas dificilmente serão as das reais necessidades, impossibilitando a muitos essa mudança.
Mais uma vez, num caso hipotético, poderemos ver um professor do quadro que, por não conseguir mudar de grupo de recrutamento, acaba por ir parar a mobilidade especial, enquanto que um professor contratado, menos graduado, vincula nesse preciso grupo. Justo?
Ora, considerando ambos os casos, temos professores do quadro que, neste momento, verificam que a sua situação seria melhor, com reais possibilidades de um vinculo perto da sua área de residência, se tivessem ficado como contratados e vinculado extraordinariamente. Faz algum sentido que seja assim?

Muito obrigada pelas suas reflexões sobre aquilo a que se está a assistir em matéria de concursos... Decidi comentar, apesar de raramente o fazer na blogosfera, pois sou QA a centenas de kms de casa, com habilitação profissional para mais do que um GR e revejo-me nos vários casos hipotéticos a que aludiu. Neste momento, o sentimento é exactamente o de que nada vale a pena, nem correr o país de lés a lés há quase duas décadas, nem tão pouco continuar a prezar tanto a minha profissão... A minha vida, pessoal e profissional por arrasto, encontra-se sem rumo, à deriva em soluções que sistematicamente têm invertido a graduação profissional. Primeiro foi a revolta, agora sobra a frustração, o desânimo. Obrigada pelos seus posts... Parabéns pelo novo blogue! E obrigada, Arlindo Ferreira, pela recomendação!
ResponderEliminarAna Silva, antes de mais, obrigado pelo apoio! Eu percebo-a perfeitamente, mas não pode desanimar. Eu sei bem como é a sua situação, e também percebo bem a situação dos contratados que há muitos anos deveriam ter vinculado e ainda não conseguiram. Agora não deve reinar a "lei da selva", é preciso tentar ver todas as situações e tentar que não existam injustiças, como me parece ser o caso deste concurso!
ResponderEliminarTenha força que tudo há-de melhorar. Não podemos é baixar os braços.
Parabéns pelo blogue e pela clarividência nos posts publicados! Sou também um caso, não hipotético mas bem real, de uma professora QA que, há largos anos, tem interesse em mudar-se para QZP próximo da residência. A escola de provimento dista 280 km da residência. Desde a colocação nessa escola a vida pessoal mudou muito porque o meu marido é também professor. Assim, em cada concurso, procuramos a hipótese da família puder estar junta todos os dias. Fixámos residência nas proximidades da escola de provimento dele porque era mais fácil conseguir aproximação no meu grupo. Porém, no último concurso, a melhor aproximação que consegui leva- me, ainda assim, a ter de fazer cerca de 180 km diários. Se as vagas da vinculação extraordinária fossem disponibilizadas também para os quadros, com certeza que eu iria tentar o QZP da minha residência. Saliento, no entanto, que apoio a luta dos professores contratados e anseio que possamos, de uma vez por todas, acabar com a precariedade que todos vivemos( porque também fomos, eu e o meu marido, contratados!) ao longo de tantos anos. Porém que tudo se faça com pleno sentido de justiça e sem atropelos aos direitos de outrém.
ResponderEliminarObrigado, Maria Correia, pelo seu comentário!
ResponderEliminarÉ exatamente isso que eu defendo, justiça para todos, sem atropelos à lei e ao que é bom senso! Esperemos que algo ainda possa ser feito para corrigir isto..